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EDGAR RODRIGUES: UMA CURTA BIOGRAFIA


Pesquisador de história social, nascido em Angeiras, conselho de Matosinhos e naturalizado brasileiro.

Filho de militante anarco-sindicalista português do Sindicato da Construção Civil, filiado à Confederação Geral do trabalho (CGT), preso pela PIDE-serviço secreto do governo salazarento, em conseqüência de sua militância sindical, participou desde jovem da luta contra a ditadura de Salazar, tendo-se exilado no Brasil em 1951. No Rio de janeiro relacionou-se com os velhos militantes anarkistas, entre os quais José Oiticica e Edgard Leuenroth, participando das atividades do movimento e colaborando regularmente na imprensa libertária, adotando, desde então, o pseudônimo de Edgar Rodrigues.

Seus primeiros livros: “Na Inquisição de Salazar” (Rio de Janeiro, 1957) e “A Fome em Portugal” (Rio de janeiro, 1958) foram de denúncia da ditadura portuguesa, o que lhe valeu integrar a lista dos autores proibidos em Portugal, onde só pode voltar após a derrubada do regime autoritário em 1974.

Também nos seus números artigos publicados nas décadas de 60 e 70, em jornais e revistas da Europa e da América Latina, tiveram como um dos temas mais constantes a denuncia da ditadura portuguesa. Participou ainda ativamente de inúmeros atos e movimentos de opinião realizados no Brasil em solidariedade aos presos políticos portugueses.

Sempre trabalhou, desde sua chegada ao Brasil, como operário da construção civil. Apesar das dificuldades e da vida rude continuou seus trabalhos de pesquisa, que iniciados com o trabalho “Na Inquisição de Salazar”, abriram-lhe as portas para documentar o próprio movimento social do Brasil, dentro de uma óptica libertária, em especial o movimento sindical libertário. Colaborou com o Jornal AÇÃO DIRETA, editado pelo professor Oiticica, e após a morte deste ajudou na reativação e continuidade do CEPJO (Centro de Estudos Professor José Oiticica) – onde, na década de 60 se reunia o MLE (Movimento Libertário Estudantil – no qual o jovem Edson Luis Lima Souto militava – até ser assassinado em 68, pela polícia, no Calabouço).

A pedido de publicações libertárias no Uruguai começa a pesquisar e se dedicar a história do movimento social no Brasil escrevendo dezenas de livros e artigos sobre o assunto. Seus livros “Socialismo e Sindicalismo no Brasil”, “Nacionalismo e Cultura Social”, “Novos Rumos” e “Alvorada Operária” são uma das principais fontes documentais do movimento operário e do anarkismo no Brasil. Da mesa forma é autor de quatro livros sobre a história do movimento operário em Portugal: “O Despertar Operário em Portugal (1834-1911)”, “Os Anarkistas e os Sindicatos (1911-1922)”, “A Resistência Anarko-Sindicalista (1922-1939)” e “A Oposição Libertária à Ditadura (1939-1974)”. Seus trabalhos são um manancial de informação para os pesquisadores da história social do Brasil e Portugal, podendo-se afirmar que foi um precursor no estudo do movimento operário no Brasil, como foi publicamente reconhecido por pesquisadores como Hélio Silva, Azis Simão e Foot Hardman. Apesar de ser um pesquisador auto-didata seus trabalhos são reconhecidos como uma fonte inestimável, e citados por historiadores tão distintos como Foster Dulles, Eric Hobbsbawn, Carlos da Fonseca e Victor de Sá.

Em 1969 foi um dos presos e indiciados durante a repressão desencadeada pela ditadura militar contra os anarquistas do CEPJO, no Rio de Janeiro, como parte das repercussões do assassinato de Edson Luis. Continuou suas atividades clandestinamente, trabalhando pela reorganização do MLB no Rio de Janeiro. Colaborou ativamente com o Jornal O INIMIGO DO REI (1977-1983/4), com a reativação do Centro de Cultura Social de São Paulo (CCS-SP), participou do Congresso Anarkista de 1986, que decidiu romper com o sindicalismo oficial e a esquerda marxista e retomar o sindicalismo revolucionário através do Movimento Pela Reativação da COB-AIT – hoje com 22 anos de atividades e duas Federações reorganizadas. Nessa época, em conjunto com outros 11 militantes formaram o ‘Círculo e Arquivo Alfa’, que deveria ser o instrumento de suporte do Movimento Pela Reativação da COB-AIT e do próprio MLB (Movimento Libertário Brasileiro). Passados mais de 20

anos, com a morte de 10 dos fundadores originais, tentam se apossar de seu acervo – reunido com os acervos do Arquivo Alfa em São Paulo – expulsando-o, baseado em divergências políticas e calúnias que contra Edgar vem sendo lançadas injustamente!

 

Nas suas atividades de pesquisa percorreu o Brasil recolhendo depoimentos de militantes e seus descendentes, coletando documentos de importantes militantes operários e ativistas anarkistas, constituindo um acervo único da história social brasileira entre 1890 e 1940, da mesma forma como já o fizera em relação a história das lutas operárias e do anarkismo  e do anarcosindicalismo em Portugal. Sendo até hoje usa obra “Os Companheiros”, em cinco volumes, que reúne as biografias de militantes e ativistas no Brasil, como o ÚNICO DICIONÁRIO BIOGRÁFICO do Movimento Operário Brasileiro, já escrito até hoje.

Em 1999 publicou o livro “Universo Acrata”, em dois volumes, uma história do MLP do Movimento Libertário Internacional, trabalho de atualização das pesquisas de Max Netlau no final do século XIX.

Em duas de suas obras debate com o MLB (Movimento Libertário Brasileiro),mostrando as divergências dentro deste no transcurso dos anos e das lutas contra a ditadura militar, “Três Depoimentos Libertários” e “Lembranças Incompletas”, onde se colcoa contra o academicismo e o reformismo esquerdizante que se foi infiltrando nas fileiras libertárias

BIBLIOGRAFIA DE EDGAR RODRIGUES

- Na Inquisição de Salazar. Rio de Janeiro: 1957.

- A Fome em Portugal. Rio de Janeiro: 1958.

- Portugal Hoy. Caracas: 1963.

- Socialismo e Sindicalismo no Brasil. Rio de Janeiro: Laemmert, 1969.

- Nacionalismo e Cultura Social. Rio de Janeiro: Laemmert,1972.

- Novos Rumos, Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1972.

- ABC do Anarquismo. Lisboa: Assírio e Alvim, 1976.

- Breve História das Lutas Sociais em Portugal. Lisboa: Assírio e Alvim, 1977.

- Deus Vermelho. Porto: S/E, 1978.

- Alvorada Operária. Rio de Janeiro: Mundo Livre, 1979.

- Socialismo: Uma Visão Alfabética. Rio de Janeiro: Porta Aberta, 1980.

- O Despertar Operário em Portugal. Lisboa: Sementeira, Lisboa, 1980.

- Os Anarquistas e os Sindicatos. Lisboa: Sementeira, 1981.

- A Resistência Anarco-Sindicalista em Portugal. Lisboa: Sementeira, 1981.

- A Oposição Libertária à Ditadura. Lisboa: Sementeira, 1982.

- Lavoratori italiani in Brasil. Itália: Galzerano Editore, 1985.

-ABC do Sindicalismo Revolucionário. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1987.

-Os Libertários. Petrópolis: Vozes, 1988.

-Os Anarquistas, Trabalhadores Italianos no Brasil. São Paulo: Global Editora, 1989.

-O Anarquismo no Teatro, na Escola e na Poesia. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1992.

-Quem Tem Medo do Anarquismo? Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1992.

-Entre Ditaduras. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-O Ressurgir do Anarquismo. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-A Nova Aurora Libertária. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1993.

-Os Libertários. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-O Homem em Busca da Terra Livre. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-O Anarquismo no Banco dos Réus. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1993.

-Os Companheiros 1. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1994.

-Os Companheiros 2. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1995.

- Diga Não à Violência. Rio de Janeiro: VJR Editores, 1995.

- Pequena História da Imprensa Social no Brasil, Florianópolis, Editora Insular, 1997.

- Os Companheiros 3. Florianópolis: Insular, 1997.

- Os Companheiros 4. Florianópolis: Insular, 1997.

- Os Companheiros 5. Florianópolis: Insular, 1997.

- Notas e Comentários Histórico-Sociais. Rio de Janeiro: CC&P Editores, 1998.

- O Universo Ácrata (Vol. I e II). Florianópolis: Insular, 1999.

- Pequeno Dicionário das Idéias Libertárias. Rio de Janeiro: CC&P Editores, 1999.

- Anarquismo à Moda Antiga. Rio de Janeiro: Achiamé, 2001.

-O Homem e a Terra no Brasil. Rio de Janeiro: CC&P Editores, 2001.

-O Porto Rebelde. Porto. Editor Fernando Vieira, 2001.

-Três Depoimentos Libertários. Rio de janeiro: Achiame Editora, 2002.

-Agaisnt All Tyranny – essay on Anarchism in Brazil. Londres-Inglaterra. Kate Sharpley Library, 2003.

-Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas. Rio de Janeiro. Editora Porta Aberta, 2003 (2ª edição).

-Rebeldias-Volume 1. Rio de janeiro. Achiamé Editora, 2003.

-ABC do Sindicalismo Revolucionário. Rio de Janeiro: Achiamé Editora, 1987.

-Rebeldias-Volume 2. Santos, Brasil. Editora Opúsculo Libertário, 2004.

-Anarquismo à Moda Antiga. Achiamé Editora, 2005.

-Um Século de História Político-Social em Documentos-Volume 1. Rio de Janeiro, Achiamé Editora, 2005.

-Rebeldias-Volume 3. Santos, Brasil. Editora Opúsculo Libertário, 2005.

-Socialismo: Síntese das Origens e Doutrinas. Rio de Janeiro. Achiamé Editora, 2006 (3ª edição).

-Um Século de História Político-Social em Documentos-Volume 2. Rio de Janeiro. Achiamé Editora, 2007.

-Lembranças Incompletas. Guarujá, SP-Brasil. Editora Opúsculo Libertário, 2007.

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Outra visões:

- dentro de uma ópitca marxista, avaliando o desenvolvimento do movimento social no Brasil, citando Edgar Rodrigues.

http://books.google.com/books?hl=pt-BR&lr=lang_pt&id=ELTO-zqeaN0C&oi=fnd&pg=PA145&dq=%22Batalha%22+%22A+Historiografia+da+Classe+Oper%C3%A1ria+no+Brasil:+...%22+&ots=_dCgsgfnut&sig=LAIzy5LkiKYwu15jb7bOSL7NGP8#PPA91,M1

Edgar Rodrigues, pseudônimo de Antônio Francisco Correia, (1921-) nasceu em Angeiras, Portugal. Filho de militante anarco-sindicalista, fugiu da ditadura salazarista, chegando ao Rio de Janeiro em 1951. Construtor civil de formação, dedicou-se a pesquisa sobre as idéias e as experiências anarquistas no Brasil e em vários outros países. Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Professor José Oiticica, do qual participou ativamente, até ser fechado pela repressão em 1969. Fundou a Editora Mundo Livre, fez parte do Grupo Libertário Fábio Luz, escreveu em vários jornais. Entre 1976 e 1985 publicou sete livros em Portugal, totalizando 15 obras de propaganda anarquista em países da América Latina e Europa. Publicou inúmeros artigos em revistas e jornais do Brasil e de Portugal. Durante sua vida teve como amigos, ilustres militantes anarquistas, tais como: José Oiticica, Pedro Catalo, Diamantino Augusto, Edgard Leuenroth, João Perdigão

Gutierrez, Manuel Marques Bastos, entre outros. Foi disseminador das idéias anarquistas no Brasil e em outros países da América Latina, escreveu seguidamente contra o salazarismo e o franquismo e foi pesquisador obstinado da memória anarquista em nosso país. Reuniu especial acervo de história social com ênfase no movimento operário e sindical e sobre o ideário anarquista que possibilitou assinasse obras fundamentais para estes temas, tais como: Socialismo e Sindicalismo no Brasil (1969), Nacionalismo e Cultura Social (1972), Novos Rumos (1972), Alvorada Operária (1979) e Anarquistas: Trabalhadores Italianos no Brasil (1989), Os Companheiros (1994), além de mais de 40 títulos publicados em língua portuguesa. (Fonte: Arquivo Edgard Leuenroth, UNICAMP)

 

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O QUE DELE DISSE MANUEL BAPTISTA:

 

ANARQUISMO NA BIBLIOTECA-MUSEU DA REPUBLICA E RESISTENCIA

"Edgar Rodrigues - Pesquisador Libertário da História Social de Portugal e do Brasil"- 23 de Abril de 2002

Conferência-debate em torno do Anarquismo e Movimentos Sociais na Obra de Edgar Rodrigues (*)

A sessão, muito concorrida, iniciou-se com a projecção de um video realizado por uma companheira historiadora, Rute, usando para cima de nove horas de entrevista videogravada com o autor, Edgar Rodrigues, dos quais fez um pequeno vídeo com cerca de 40 min.

Os assuntos versavam sobre elementos da biografia do Autor, desde as circunstâncias da sua vinda para o Brasil, o seu encontro com Oiticica, o grupo "Ação Directa" e Edgar Leuenroth, até ao esforço continuado para se instruir, se documentar, tudo isso em paralelo com o seu trabalho na construção civil. Outras passagens do vídeo permitem-nos compreender o que Edgar entende por Anarquismo, defendendo uma visão marcadamente social do mesmo ao dizer que " a resolução do problema social resolve o problema de todas as restantes desigualdades". Edgar defende o anarquismo operário; recorda que este emergiu da obra de alfabetização dentro dos sindicatos, fazendo da cada operário-anarquista um filósofo-autodidacta. Enfatiza a importância de cada activista ter a sua biblioteca própria e de estudar a sério todas as questões relacionadas com a teoria e as experiências de lutas.

Aborda criticamente o anarquismo dos intelectuais. Refere temas como o patriotismo ou ainda o sentir (o que será a base da análise) quanto esta sociedade deforma o ser humano.Seguiu-se uma charla em que José Maria Carvalho Ferreira, em nome da

Associação cultural "A Vida" (editora da revista "Utopia"), fez as apresentações dos elementos convidados e explicou o programa das conferências agendadas (Lisboa e Porto). João Freire (director de "A Ideia" e um dos responsáveis da edição de várias obras de Edgar Rodrigues em Portugal, com a defunta cooperativa "Sementeira") disse algumas palavras de contextualização da obra e intervenção de Edgar Rodrigues no movimento de resistência ao fascismo em Portugal; o seu significado enquanto uma da poucas vozes libertárias que estava em condições de denunciar o Portugal de Salazar, além do inestimável valor da sua pesquisa enquanto historiador do movimento social.

Nelson Tangerini (jornalista carioca que, entre outras publicações, escreve na "Letralivre" e n'"A Batalha") referiu o caso bastante recente e miserável de discriminação, do silenciamento sistemático da obra de Edgar Rodrigues quer pelos média quer pelo próprio sindicato dos escritores ao qual Edgar pertence, mas cuja revista ignora as publicações, não referindo sequer novas obras na sua revista (ao contrário do que acontece com outros autores). Nelson considera que se trata de um caso típico de censura dos burocratas marxistas, que se coligam para fazer a "lei do silêncio" em torno de vozes e autores incómodos (para eles, burocratas) como Edgar Rodrigues, visto este ser simultaneamente alguém de origem operária, anarquista e com grande obra de pesquisa e divulgação, a qual põe a nu a falsificação permanente da História que é levada a cabo pela maior parte das correntes marxistas.

Nos restantes momentos de perguntas dirigidas ao Autor homenageado, Edgar deu-me a impressão de alguém cheio de humanismo, não imbuído de sua própria pessoa, muito preocupado com o anarquismo enquanto ética.

M.B.

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