Sindicato
Célula corporativa, constituída por assalariados da mesma profissão, da mesma indústria, executando trabalho similares ou correlatos. O objetivo do sindicato é tornar-se uma força, criar para os seus associados condições capazes de resistir as ambições patronais no plano individual e profissional. É um agrupamento formado no terreno econômico, sem existência preconcebida; são interesses que estão em jogo; e todos os operários que têm interesses idênticos aos do agrupamento podem filiar-se a ele, sem necessidade de declararem quais são as suas idéias em matéria filosófica, política e/ou religiosa. Dentro do seu prisma orgânico, o sindicato, forma-se a partir da unidade para o grupo ou comitê, do agrupamento para União de Sindicatos; da União dos Sindicatos locais para as Federações reginais e destas para Confederação Geral do Trabalho.
Dentro desta mecânica organizativa existem sindicatos Mutualistas, Beneficentes, Autônomos, Independentes, Políticos, Religiosos, Reformistas e Revolucionários. Podem ser de profissionais da mesma especialidade, de “Ofício Vários”, Mistos e de Artes Correlatas ou similares.
Para o sindicato funcionar com desenvoltura plena, dentro do horizonte sindicalista é preciso que os seus componentes exercitem afinidades profissionais e cultivem sentimentos de simpatia, de amizade afetiva e fraternal. Não basta pertencerem à mesma entidade, é preciso desenvolver ação social conjunta, operar modificações econômicas, particulares, ma também elementos catalizadores, capazes de ajudar no descondicionamento humano, ampliando assim a tolerância, a compreensão, o respeito e o apoio mútuo, fortificantes da solidariedade.
Um sindicato onde cada componente age para si, com unidade isolada, individualista, dificulta a convivência e a formação da família sindicalista.
O sindicato para ser dinâmico, coerente, organismo consciente, além de cultivar o auxílio mútuo e praticar a solidariedade de classe e humana, precisa ministrar cursos de militância, revelar oradores, promover palestras, conferências, debates, ensinar humanidades, realizar festas de congraçamento cultural, desenvolver a arte de representar, projetar sessões de cinema com debates em torno dos filmes e deflagrar greves quando se fizerem necessárias, sempre apolíticas. Caso contrário, torna-se um orgão inoperante, aburguesado, comerciante, começa a definhar, transforma-se num barco sem rumo, corpo sem cérebro, comandado pelo estômago.
Por Edgar Rodrigues.
