Propostas e Práticas - Educação
Este texto é base para vários cadernos da coleção Propostas e Práticas e se presta a ajudar nossas conversas e ações em busca da transformação social, sem opressão nem exploração.
Sujeita-se a críticas e a alterações, conforme as necessidades e condições de cada um.
Propostas e Práticas são fundamentadas em experiências anarquistas nesse dois séculos de anarquismo em todo o mundo.
O desenvolvendo a luta através da autogestão, ação direta e socialismo libertário contra o autoritarismo e fascismo mundiais.
Não se limitam ao período eleitoral. Não propomos o voto nulo como protesto, mas como uma conduta ética e moral de cidadania para transformação social. A política será mudada através da luta direta da população explorada e oprimida nas ruas, nas escolas, nas fábricas, nas universidades, nas casas por justiça e liberdade.
Saúde e anarquia para tod@s!
Educação
O modelo educacional anarquista se baseia na liberdade de aprendizado, formação de senso crítico, responsabilidade e vivência cooperativa.
Podemos lembrar as escolas modernas e os ateneus libertários mantidos pelos sindicatos anarquistas do início do século XX como experiências práticas.
É necessário pensarmos que a relação professor/aluno não é um relação autoritária, mas uma troca de experiências de aprendizado. A atual e eterna crise da Educação Institucional e Estatal nada mais é do que uma crise autoritária, onde o modelo postula uma hierarquia de mando, onde o professor mande e os alunos obedeçam, sem nenhuma razão aparente para tal, já que o processo educacional não é hierarquizado ou pronto para ser transmitido sem questionamentos. Nesta crise, além da relação autoritária, já que muitos dos professores não possuem nem a competência para ao menos, mostrar autoridade para explanação de material educativo relacionado a sua área. Não podemos desqualificar quem tem autoridade, conhecimeto profundo sobre determinado assunto, mas não se pode sobre esse argumento, criar desigualdades sociais por tal conhecimento.
A participação de tod@s no processo de formação é muito importante. Desde modo, a educação é responsabilidade de tod@s, e será multidisciplinar, já que cada um pode contribuir no processo educacional, através de grupos educacionais que ocuparão as escolas. Estes serão formados por moradores da região, os pais, os alunos e interessados na educação livre, aberta.
A escolas deixariam de ser os depósitos de docilização e condicionamento pavloviano de prêmio/castigo com atualmente o é. São pensadas como espaços de vivências educacionais autogeridos, abertos a tod@s (lembrem-se, nunca é tarde para “desaprender” e aprender!) onde se formam bibliotecas (arrecadação de livros pela região será importante, pois há muitas bibliotecas particulares que não tem razão de existirem!), círculos de estudos, poesias, atividades desportivas; os diversos indivíduos da comunidade relatarão suas experiências de trabalho, e ensinarão seus ofícios de forma direta.
Avaliações serão facultativas e aplicadas através da decisão do grupo educacional, porque há necessidade de perceber o desenvolvimento e aprimorar as técnicas de aprendizado.
As metodologias aplicadas serão livres, ma sempre tendo o referencial de não oprimir e não explorar dentro do ambiente educacional e nem ser apologista deste tipo de autoritarismo. Só há exploração e opressão em uma relação de desigualdade, de imposição e mando.
Não significa, entretanto, confusão ou bagunça, mas a orientação para o compromisso de participação de deveres e direitos de viver em coletivo e, este, respeitando sempre cada indivíduo. Será o aprendizado de equilíbrio entre estes dois aspectos sociais.
Sabemos as características conservadoras da educação atual, seu fracasso em formar cidadãos críticos e seu sucesso em deformar a população, a ponto de deixa-la servil, domesticada e ignorante. O seu papel fundamental é a manutenção do status quo, e alimentar a máquina do capital com o “gado” humano chamado população. Controlada através do Estado, das religiões e grupos de elite, a educação feita cria uma “massa” de fácil a manipulação, ignorante de sua situação ou não consegue identificar qual as causas de seus problemas e resignada pelas “soluções” de seus governantes.
O desenvolvimento educacional para o anarquismo é uma prioridade de tod@s, e repetimos que cada indivíduo tem um importante papel de informação e formação social de tod@s.
Não há quem saiba tudo e nem quem não precise conhecer mais. O conhecimento é uma riqueza que devemos distribuir a tod@s, sem exceção.
Enfim, é necessário fazer o contrário do que é feito em educação para termos indivíduos livres e críticos.
Em suma, propomos:
-Formação de grupos, coletivos ou associações educacionais;
-Estas gerenciarão as escolas de forma direta, sem hierarquia ou autoritarismo;
-Incentivo para que tod@s participem regularmente da educação, afinal é um processo permanente que abrange da criança ao idoso;
-Currículo elaborado por tod@s;
-Ensino horizontalizado, sem professores;
-Dinâmicas cooperativas (se competir é preciso, cooperar é essencial!);
-Escolas como espaços abertos para comunidade exercer atividades culturais e educacionais;
-Práticas de vivência igualitária de gênero. Étnica, religiosa e lingüística;
-Metodologia pedagógica aberta, limitada apenas em não oprimir e nem explorar.
