19 de julho: Lembrando a Revolução Espanhola!
Em julho de 1936, os fascistas espanhois (as elites empresariais, os militares, a igreja católica) deflagraram um confronto fratricida para depor o governo republicano eleito da forma que a burguesia pregava: pelo voto. Tal governo era formado de elementos reformistas da esquerda. Foi a gota d'água para os conservadores fascistas, que se rebelaram promovendo derramamento de sangue do povo espanhol.
O sindicalismo revolucionário através da Confederação Nacional dos Trabalhadores (CNT) levantou a resistência, conclamando seus militantes para defesa da república e posteriormente dos avanços do socialismo libertário que impulsionaram ao coletivizarem fábricas, industrias e campos, tornando realidade o sonho socialista libertário de igualdade, fraternidade e liberdade.
Através de táticas guerrilheiras e práticas de milicias (forças armadas populares, autogeridas em colunas (com mais de 2.000 homens cada uma), tendo a cada centúria um representante sem caráter fixo, sem hierarquia de um exército regular) as tropas republicanas e revolucionárias conseguiram se manter apesar dos avanços dos fascistas espanhois e seus aliados italianos e alemães (Mussolini e Hitler usaram o conflito para treinar e aperfeiçoar seu armamento, que usaram depois na Guerra Mundial).
A forças antifascistas, a Republica espanhola recorreram a Liga das Nações (a ONU do período) inúmeras vezes, sem resultados, uma vez que as democracias estavam apáticas diante dos fascistas e não viam com bons olhos os avanços dos anarquistas e temiam que a Espanha se tornasse mais radical e revolucionária que a URSS, que entrara em uma totalitarismo de esquerda mantido com mão de ferro por Stálin.
E foi da URSS que veio os poucos recursos para a resistência espanhola, mas sobre condições severas que minaram o processo revolucionário espanhol. Suas exigências foram o fim das milicias, criação de uma “tcheca” (polícia secreta) liderada pelo PCE, o PCE, no período, um partido minúsculo, sem expressão popular, ascendeu ao poder, recebendo o controle de ministérios, secretárias da Republica. O golpe maior foi o controle do exército, que regularizaram, uniformizando e treinando em disciplina militar, que foi um erro (veja material de Diego Abad Santillan sobre o assunto), expulsando todos os milicianos, prendendo todos que se opunham ao seu controle. Criaram uma guerra civil na retaguarda, fechando coletivizações de fazendas, de fábricas e industrias. Um ataque ao espirito revolucionário que surgiu na guerra.
Contra tantas adversidades, o povo espanhol levou o conceito de revolução para uma nova forma de pensar e de se fazer, sem partidos, sem patrões, sem políticos.
E esse espirito de luta se mantém, a emancipação dos oprimidos e explorados é obra dos próprios oprimidos e explorados!
Um povo que luta, não se dobra aos poderosos que o quer dobrado e dócil.
Não morreram em vão, a Revolução Espanhola continua em nossos corações e ações! Viva o socialismo libertário, viva o sindicalismo revolucionário!
Rumo ao XXIV Congresso da AIT-IWA no Brasil!
