Greve Geral de 1917
Há 91 anos aconteceu um dos mais importantes fatos para os trabalhadores brasileiros, a Greve Geral de 1917. O movimento operário mostrou como as organizações (Sindicatos e Federações) podiam lutar e defender seus direitos de forma descentralizada e livre, mas de forte impacto na sociedade.
Esta greve mostrou não só a capacidade de organização dos trabalhadores, ma também que uma greve geral era possível.
Já nos Congressos da COB (1913) e da FOSP (1915), já indicavam a necessidade de união de todos os trabalhadores para lutar contra os patrões, varias resoluções mostram que o caminho dos trabalhadores era de união e de luta direta por seus direitos, como greves e sabotagens . Com esses indicativos, a imprensa operária se tornou a alavanca de informação e formação dos trabalhadores, que a cada ano, com agravamento das condições de trabalho, filiam-se as organizações de resistência, majoritariamente anarquistas que visavam profundas mudanças na sociedade.
Com o início da I Guerra Mundial, houve na Europa, a fragmentação do movimento operário devido a os caminhos nacionalistas tomados por parte do movimento, alimentando a guerra fratricida. No Brasil, os operários formaram Comitês de Luta Contra a Guerra. Com o agravamento do conflito na Europa, as condições de vida no Brasil, principalmente para os trabalhadores ficaram piores, com falta de alimentos, roupas e habitação. Com isso, e os contantes reajustes de preços, fizeram disparar a carestia. O movimento operário formou Comitês de Agitação Contra a Carestia da Vida, fomentando reivindicações e organizando e esclarecendo os trabalhadores a respeito da situação.
A agitação se acirrou no 1° Maio de 1917 com fortes manifestações contra a carestia e por redução da jornada de trabalho (neste período era comum jornadas diárias de 14, 16 horas). Em junho os funcionários do Cotonifício CRESPI entram em greve por melhores salários e outras reivindicações A intransigência patronal leva a uma greve de solidariedade crescente. No começo de julho as agitações operárias aumentam e culminam em confrontos com a polícia, onde foi morto José Iguenez Martinez, deflagrando uma onda de protestos e greves que paralisam a cidade de São Paulo.
Cada categoria, cada trabalhador solidariamente paralisa suas atividades em uma onda espontânea e organizada em torno de reajustes salariais, redução da jornada de trabalho entre outras. Foi criado o Comitê de Defesa Proletária, que organizou as ações dos grevistas. Do lado do governo, foi decretado toque de recolher e proibida qualquer reunião pública, levando a grandes conflitos, com muitos feridos e mortos.
Ao final de uma semana, a força grevista, isto é, os trabalhadores conseguem que suas reivindicações sejam aceitas. Uma grande vitória para o movimento operário organizado.
Devemos ter mente estes relatos, porque 90 anos passados, temos as mesmas situações de miséria de nossa classe. Isso aconteceu por que deixamos que eles transformassem nossas organizações em aparelhos de Estado. Lembremos os exemplos dos guerreiros de 1917 retomando nossa organização autônoma frente ao Estado e aos partidos. E a exemplo deles, devemos unir e lutar por nossas necessidades, mas também para acabar com a sociedade de opressão e exploração, para construir um nova de igualdade, liberdade e dignidade para todos.
