Conlutas
Esta entidade de trabalhadores reúne sindicatos e outros movimentos populares por todo o Brasil. Nascida em 2004 e oficializada em 2005, a Conlutas – Coordenação Nacional de Lutas, é um novo aparelho sindical nascido do desentendimento de setores sindicais ligados ao PSTU e que, após a “decepção” com Lula, e, especialmente, após a derrota com relação à Reforma Previdenciária, resolveram dar um basta à CUT.
Portanto, a plataforma da Conlutas é a incessante luta contra a CUT e o PT no governo, querendo barrar as reformas neoliberais, como a Trabalhista, a Previdenciária, a Universitária e outras medidas, como o Super Simples, já aprovado pelo congresso e sancionado por Lula.
Esta plataforma é digna de apoio, pois ninguém duvida dos planos neoliberais de precarização do ensino superior, a precarização dos trabalhadores e das relações do trabalho, em favor dos patrões e nem que a reforma da previdência só quer alcançar uma maior arrecadação às custas dos trabalhadores, que agora quase não conseguem se aposentar, dadas as exigências da lei.
No entanto é preciso fazer um mapa interno da Conlutas e das suas ações para perceber que, na verdade, nascida como organismo alternativo à CUT, ela nunca será mais que isso. Pior: alternativa dentro do universo burocrático do sindicalismo.
As correntes dominantes da Conlutas estão agregadas em torno de dois partidos políticos: PSTU, majoritário, e PSOL, que, mesmo não sendo majoritário, detém muitos ativistas do movimento e conseguem que suas idéias sejam materializadas.
Abaixo destes estão movimentos que diria serem “mais sinceros”, ou seja, pessoas e movimentos que de verdade combatem a burocracia sindical e, inclusive, estão fortalecendo por dentro as críticas à Conlutas e às ações da sua direção. Podemos citar como exemplos a LER-QI – Liga Estratégica Revolucionária - Quarta Internacional, cuja base é trotskista e está em São Paulo, contando com um núcleo importante no Sindicato dos Trabalhadores da USP e no movimento estudantil. Existe também os militantes da Liga Bolchevique, com forte base em Fortaleza, dentre outros. Destaca-se estes dois movimentos minoritários pois sempre estão em confronto com a direção, em todos os congressos e encontros.
É claro que existem na Conlutas indivíduos e entidades independentes de partidos e movimentos, pessoas que realmente acreditam nesta como instrumento de lutas. O argumento utilizado é o de que “quem faz a Conlutas somos nós”. Este argumento ingênuo esquece que estamos falando de instâncias de poder, e poder dos grandes, e este poder não será compartilhado e nem facilitado sem grandes sacrifícios ou a um alto preço. Não se toma uma entidade grande como esta assim, pela boa vontade.
Acontece que a Conlutas nasceu, no máximo, para ser alternativa à CUT, e lutar contra as reformas. Não houve em nenhum momento da sua história em que a Conlutas se declarou revolucionária, anti-capitalista. No máximo a bandeira do socialismo soviético e nada mais.
Apesar da boa vontade, estes movimentos fazem a crítica por dentro da Conlutas que, de per se, é um organismo fadado a se entregar ao sistema burocrático, como outro qualquer. Para se ter certeza disto basta saber que a maior preocupação é a tomada dos sindicatos cutistas e, quando o fazem, em muitas vezes, realizam ações e cotidianos parecidos com os sindicatos que criticam, produzindo ações de manutenção, de conservação, inclusive negociando com patrões e mesmo compartilhando chapas com membros de partidos como o PT e o Pcdo B.
Ademais, no seu núcleo central, a Conlutas conta com militantes sindicais que já nem sabem o que é um chão de fábrica há anos, tanto estão na máquina burocrática sindical e assim viajando pelo Brasil às custas dos trabalhadores. Assim é fácil dizer que luta! Este tipo de sindicalista profissional é justamente o modelo que tanto criticam, mas reproduzem.
Um episódio interessante para salientar foram as eleições e o papel lastimável do PSTU como sombra do PSOL. Não deu pra perceber, mas o PSTU era parceiro na coligação com o PSOL, e assim, como se fosse capacho daquele, aceitou ficar na sombra, não negociando nem sequer a vice presidência da tal HH.
Isso significa que o PSTU já entrou no jogo político de vez e de qualquer modo quer o poder, mesmo que para isso tenha de fazer o ridículo papel de capacho. Tudo bem que estamos falando de partido e não de sindicatos. Mas se o caráter dos políticos do PSTU é o mesmo dos sindicalistas, o que podemos esperar? É o que acontece: resumem-se a criticar as direções dos sindicatos que não lhes pertence e, quando tomam os sindicatos, resumem-se a negociarem índices ou nem isto, numa ação típica reformista. E dá-lhe críticas a Lula.
Para finalizar, a Conlutas não se constitui em alternativa real para aqueles que querem de fato combater o capital como relação social e nem para aqueles que querem voltar a ser protagonistas sociais.
É preciso fazermos por nós mesmos. Chega de direções pelegas ou interesseiras. Chega de lobos em pele de cordeiro, como o PSTU e PSOL, CUT ou Conlutas. Precisamos tirar-lhes as máscaras, pois estão enganando milhões de trabalhadores, iludindo-os como alternativa.
Só a ação direta, de livre iniciativa dos trabalhadores e com a radicalidade necessária para enfrentar o momento atual é que pode construir uma nova realidade, de liberdade e autonomia, individual e social.
Alessandro de Melo -
Grupo Independente de Estudos Políticos e Sociais (GIEPS) e simpatizante do Sindivários
