Sindivários Campinas
Documento Histórico -

As calúnias bolchevistas

A sua campanha de descredito contra os anarchistas e syndicalistas revolucionários obedece a um plano estabelecido em Moscou


Os bolchevistas de toda parte vivem a sustentar uma campanha permanente e sistemática de descredito dos elementos libertários e sindicalistas revolucionários, com o intuito de atrair contra os mesmos a antipatia e desconfiança dos trabalhadores, em cujo seio esses novos politiqueiros pretendem firmar o seu domínio absoluto, lançando mão de toda sorte de embustes, de injurias e de calunias.

Essa obra vergonhosa obedece a um plano geral, assentado nos conluios partidários dos sequazes de Moscou.

A esse propósito o nosso camarada Rudolf Searfenstein escreveu o artigo que passamos à reproduzir, no qual relata o que se passou no 3º Congresso da Internacional Sindical Vermelha (?), de Moscou, que outra coisa não fez senão assentar as normas da campanha de desmoralização dos elementos verdadeiramente revolucionários, que os bolchevistas combatem porque não se sujeitam à sua tutela de ditadores de lançaria.

Em outro numero publicaremos uma comunicação da Associação Internacional dos Trabalhadores, em que se relata pormenorizadamente o que se passou nesse concilio bolchevista e pela qual os trabalhadores do Brasil verão até onde chega a obra mistificadora dos bolchevistas.

Eis o que diz o camarada Rudolf:

No terceiro congresso da Internacional Sindical Vermelha não se discutiu a maneira de acabar com o regime burgues, nem a tática que se deve empregar para melhorar as condições morais e materiais da classe obreira. Discutiu-se unicamente o modo de matar, dividir ou absorver os sindicatos que não aceitam o procedimento ou a ideologia do partido comunista, nem a estrutura de sua revolução unitária e ditatorial.

Lozowski, em seu discurso, fez as seguintes afirmações: que era preciso acabar com o antigo federalismo que ainda exerce a sua influência em algumas organizações operárias e que se impunha uma mudança de tática em face do sindicalismo.

Assim como até agora – disse – temos agido contra os sindicatos abertamente, daqui por diante temos que procurar apoderar-nos deles”.

E para conseguir esse fim, se estabeleceu entre delegados uma espécie de “Monita secreta”, cuja essência é:

Procurar-se-á desacreditar, de qualquer maneira, aos militantes influentes dos sindicatos não comunistas; procurar-se-á formar grupos aderidos á Internacional Sindical Vermelha, que tenham por objetivo manobrar no sentido de se apoderarem dos cargos de direção dos sindicatos; procurar-se-á manter constantemente bloqueados e alijados dos comitês dos sindicatos os anarquistas e os sindicalistas que se mostrem contrários a aceitar o apoio da organização comunista.

Os delegados estrangeiros expuseram a situação sindical e comunista dos países que representavam e indicaram nomes de indivíduos e de sindicatos suscetíveis de se converterem ao comunismo, para se convergir sobre os mesmos a influência do ouro de Moscou, por intermédio de seus auxiliares em cada nação.

Discutiu-se também a forma de combater, nos países latinos e americanos, ação da imprensa anarquista e sindicalista não comunista. A forma assentada consiste em criar em cada população de preponderância libertária um diário, uma revista ou um periódico de acordo com a importância e o caráter das publicações anarquistas, apresentado-os em maior formato e por preço menor que os editados pelos operários não comunistas. Assim, tratariam de lhes tirar os leitores e acabar com eles.

Resolveram, também, sobre a atitude a assumir com o fim de conquistar a vontade dos redatores da imprensa anarquista e sindicalista, por meio de cargos e ordenados maiores.

Os chefes da Internacional Sindical Vermelha fizeram questão fechada, sobretudo o seu secretário perpétuo, da conveniência de acabar com a autonomia das organizações obreiras.

Não devem existir federações nem sindicatos autônomos, nem mesmo administrativamente. Tudo deve estar sujeito a Moscou e tudo dirigido por Moscou. É o critério absorvente e autoritário de Marx e Engels.

Já Lassalle havia dito, em um folheto publicado por ocasião da guerra austro-italiana, intitulado “A Guerra Italiana e o dever da Prússia”, que este último país devia aproveitar da inferioridade em que ficava a Áustria para constituir a unidade germânica sob direção de um grande império, pois dessa forma seria fácil o triunfo do socialismo.

O socialismo era o comunismo de Marx, imperialista e este comunismo absorvente e unitário é o que querem estabelecer os bolchevistas da Rússia, que não souberam, sequer, dotar seu país do sentimento moral, solidário nem o da liberdade de consciência.

Entretanto o federalismo de Proudhon e de Bakunin teve maioria dentro da primeira e única Internacional, que os bolchevistas de Moscou queriam ressuscitar com a sua. Aquela gloriosa Internacional obreira concedia autonomia ás regiões (nações), as federações de ofício dentro da região e as seções dentro da federação. E, apesar disto, e quiçá, por isso mesmo, foi poderosa e temida aquela Internacional.

Urge agir internacionalmente contra esse imperialismo bolchevista que nos quer atar a todos ao seu absolutismo como se os chefes de Moscou fossem infalíveis e tivessem o dom de transmitir ao mundo um novo sentimento de igualdade e de liberdade.

Como se vê, o terceiro congresso da Internacional Sindical Vermelha realizou-se especialmente contra os trabalhadores inimigos do Poder, seja quem for que o represente.

É a nova onda de políticos que querem continuar cultivando o ídolo Estado,para que os povos continuem a ele sujeito, sob outra representação e exploração.”

Por ai, podem verificar os trabalhadores do Brasil que a campanha de injurias e de calunias movida pelos bolchevistas contra os anarquistas obedece a um plano concertado nos concílios de seu partido, com o intuito de dominar as organizações operárias a seu belprazer.

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Digitado do jornal A Plebe – ano XI – sábado, 09 de Abril de 1927. Pela Coordenação de Imprensa do Sindivários Campinas. Copyleft: para Sindivários Campinas. Sobre lincença: Creative Commons, alguns direitos reservados:http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/2.5/br/


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