Os anarquistas sempre presentes
Não sabemos como ainda haja quem, de boa-fé, possa afirmar que os anarquistas oferecem a felicidade aos famintos para o ano 2000. Devemos dizer que quem assim julga está absolutamente errado – e esclarecemos porque. Os anarquistas, assim como nada pedem nada oferecem, porque não se apresentam messias, como líderes, como mentores ou demagogos políticos que prometem este mundo e o outro para que os elevem às alturas dos órgãos governamentais.
Os libertários esposam um ideal que propugna a substituição da sociedade atual, caracterizada pela iniqüidade, exploração e pela tirania, por outra, baseada no princípio da igualdade social. E, convencidos da justiça desse ideal, por ele se batem divulgando-o por toda parte, ao mesmo tempo que lutam com o povo a que pertencem na reivindicação de seus direitos, sujeitando-se a todas as conseqüências dessa luta.
Apontam-nos como teóricos, e, de fato, o são desde que têm de divulgar a doutrina anárquica, isto é, de expor os princípios e métodos do anarquismo, o que, entretanto, sempre procuram fazer de maneira mais simples possível e com a máxima clareza. Por isso, não podem ser acoimados de metafísicos, pois fogem das conclusões abstratas, não tendo a sua obra nenhuma feição transcendental.
Os anarquistas têm participado direta e ativamente, em pessoa, não ditando palavras de ordem para outros cumprirem, em todos os movimentos sociais, procurando levar os acontecimentos no sentido da transformação imediata do sistema social ou, quando menos, para que resultem deles a maior soma possível de conquistas para o povo. Durante a revolução russa, constituíram, animaram, orientaram e defenderam as Comunas livres na Ucrânia, o mesmo tendo feito na revolução da Hungria. Na revolução espanhola, foram eles que tiveram atuação mais decisiva, organizando as coletividades agrícolas, na base do socialismo livre, sem ditadura e com respeito da personalidade de seus elementos, socializando as indústrias e outros centros de produção em Barcelona e outros principais meios ibéricos.
Onde quer que se lute contra o fascismo e todas as manifestações de tirania, são encontrados os anarquistas nas primeiras filas de combatentes. Será isso, porventura, uma atitude platônica de quem busca a felicidade do povo para um longínquo futuro?
Edgard Leuenroth in Anarquismo, Roteiro da Libertação Social – Edgard Leuenroth, Editora Mundo Livre – 1963.
Digitado pelo Coordenação de Imprensa do Sindivários Campinas – associada a FOSP-COB.
