Sindivários Campinas

Texto traduzido e digitalizado pela seção Campinas da FOSP  do livro Antologia do Anarcosindicalismo, Victor Garcia-

Expropriação


A expropriação deve compreender tudo quanto permita apropriar-se o trabalho alheio. A formula é simples e fácil de entender.

Não queremos despojar de ninguém seu sustento, senão que desejamos devolver aos trabalhadores tudo o que permite explora-los, não importa quem. E faremos todos os esforços para que, não falte nada a ninguém, não haja nem um só homem que se veja obrigado a vender seus braços para sua sobrevivência e de seus filhos.

Eis aqui como entendemos a exploração e nosso dever durante a revolução, cuja chegada esperamos, não para daqui duzentos anos, mas sim para um porvir próximo.

A idéia anarquista em geral e a de expropriação em particular, encontram muitas simpatias do que se pensa os homens independentes de caráter e aqueles para quem a ociosidade não é um ideal supremo. “Sem embargos - nos dizem com freqüência nossos amigos- guarda-os de ter demasiados estranhos! Posto que a humanidade não se modifica um só dia, não vás demasiado depressa em vossos projetos de expropriação e de anarquia! Arriscado fazer algo nada duradouro.”

Pois bem; o que temos em matéria de expropriação não é demasiado estranho. Pelo contrário, tememos que a expropriação se faça em um escala demasiada pequena para ser duradoura; que o arranque revolucionário se detenha na metade de seu caminho; que se gaste em medidas partes que não poderiam contentar a ninguém, e uma suspensão de suas funções, não fossem, sem embargo, viáveis, semeando o descontentamento geral e trazendo fatalmente o triunfo da reação.1

Mais que possível, a expropriação desde o primeiro momento insurrecional, dissemos anteriormente, é quase inevitável. A expropriação, isto é, a tomada de posse das fábricas, dos estabelecimentos, dos instrumentos de trabalho em geral e de todos os produtos acumulados, é uma das formas com que se iniciará a revolução; em certo modo poderia também preceder na parte a insurreição mesma. Depois da ocupação trabalhadores dos estabelecimentos metalúrgicos italianos, em setembro de 1920, é fácil de prever que todo movimento proletário um pouco sério, todo movimento do povo, será de agora em diante acompanhado, precedido ou provocado por tentativas semelhantes de tomadas de posse da propriedade dos capitalistas.

É bom recordar, no mais, que ainda antes de sugerir a idéia de ocupação dos estabelecimentos uma fórmula bastante em voga entre os socialistas, os sindicalistas e os anarquistas, e em geral entre a classe obreira de tendências avançadas, foi a greve geral expropriadora.2

As agrupações dos trabalhadores devem ser as células iniciais da nova sociedade. É impossível conceber a real transformação social em outras bases. É indispensável, pois que os trabalhadores preparem eles mesmos a tarefa de expropriação e de reorganização, a qual só eles são capazes de levar a cabo com exito.3

A expropriação dos latifúndios, cujo origem inconfessável está provado, inclusive por sentenças firmes dos tribunais de justiça, não deixa de ter um valor. Só que nada se resolveria definitivamente se a grande propriedade passar das mãos de particulares para as do Estado. Tão pouco representaria uma solução aceitável o parcelamento ou repartição de pequenos lotes entre os trabalhadores do campo. Este procedimento se tem empregado já com resultados negativos em toda a Europa no anos que seguiram a guerra, nos quais, o medo da revolução induziu aos legisladores a realizar a reforma agrária.

A verdadeira solução do problema nos a oferecemos, não o parcelamento e a criação do chamado bens de família, nem a socialização da terra para seu cultivo e aproveitamento sobre a direção e o controle do Estado, e sim a entrega dela ao sindicatos de produtores para seu cultivo em comum e seu usufruto também em comum.4

Um dos pontos fundamentais do anarquismo é a abolição do monopólio da terra, das matérias-primas e dos instrumentos de trabalho, e conseguintemente a abolição da exploração do trabalho do outro que realizam os detém os meios de produção. Toda apropriação do trabalho do outro, de tudo que serve a um homem para viver sem dar a sociedade sua contribuição produtiva, é um roubo em um ponto de vista anárquico e socialista.5

1Pedro Kropotkin. La Conquista del Pan. Maucci, Barcelona s/d. Páginas 52, 53.

2Luigi Fabbri. Dictadura y Revolución ..., ya cit., págs 327, 328

3Emile Pouget. Le Syndicat. Cita Paul Berman: “Quotations ...”, ya cit., página 150

4Higinio Noja Ruiz. La Revolução Atual Española, Valencia s/d., pág. 33

5Malatesta em “Il Pensiero”, de 16 de março 1911. Cita Richards, pag. 107.


 Informes

Expropriação

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