Sindivários Campinas

Espanha: A CNT ante a Confederação Sindical Internacional

Por Secretariado da CNT/AIT 06/11/2006 às 00:16


Comunicado internacional do Secretariado da Confederação Nacional do Trabalho da Espanha contra o "sindicalismo" de expediente.


Comunicado internacional

A CNT ante a Confederação Sindical Internacional


No dia primeiro de novembro foi criada em Viena a Confederação Sindical Internacional, produto da fusão da Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres (CIOSL), e da Confederação Mundial do Trabalho (CMT). Lá compareceram para atestar o nascimento e aderir-se ao novo organismo, entre outros, los máximos responsáveis dos sindicatos orgânicos do Estado espanol: UGT, CCOO e USO.


A nova Confederação Internacional nasce fazendo alarde dos números que carregam consigo: 306 centrais sindicais, que representam a 154 países e 168 milhões de membros. Estes números, que em principio, dada sua magnitude, poderiam fazer tremer aos próprios e aos outros, certamente que não preocuparam minimamente a grandes empresas multinacionais, nem aos organismos do capitalismo internacional (Banco Mundial, FMI...) nem aos organismos políticos, tanto nacionais como transnacionais.


A CSI, gestada durante estes últimos anos, vem fazer frente, principalmente, aos novos desafios lançados pela globalização, conforme afirmam seus promotores e aderentes. Uma declaração de intenções que, vista desde a CNT, não passa mais do que uma grande piada, pois grande parte desses sindicatos, e entre eles os mencionados mais acima, são precisamente os que, chegado o momento ?e muitos foram os momentos-, as mãos deles não tremem na hora de assinar expedientes de regulação de emplegos em processos de relocalização de empresas multinacionais, botando nas ruas milhares de trabajadores. Despreocupados podem ficar, o grande capital internacional, pois os que agora se unem, mais do que formarem uma grande organização de trabalhadores com capacidade transformadora, não passam de seus aliados com os quais sentam-se e assinam para freiar os verdadeiros processos de mudança, daqueles que colocam em xeque as empresas e que atuam a margem da oficialidade sindical.


Nasce a CSI com um ?mínimo incremento da burocracia sindical?, declarou Cándido Méndez, da UGT. Uma afirmação que, mais do que atenuar a essência do engendrado, a define em toda sua amplitude: o que nasceu não foi uma organização para o progresso da classe trabalhadora da urbe planetária, senão uma Internacional da burocracia sindical aportada pelas burocracias dos bem conhecidos sindicatos nacionais e de duas também conhecidas organizações sindicais internacionais. O quê pode esperar o proletariado internacional, os pobres da Terra, desses que levaram décadas caracterizando-se pela desmobilização, o quê realizarão os trabalhadores, com uma pratica sindical consistente na colaboração e participação em todas as vias que o sistema oferece ?eleições sindicais...-, e recebendo as polpudas subvenções que permitem abortar toda luta revolucionaria?.


Mas não todos os sindicatos, nem todas as organizações Internacionais, se encontram participando nestas diversões que não contribuem com nada novo ao já existente. A Confederação Nacional do Trabalho da Espanha (CNT-AIT), pertence, desde seus princípios, a Associação Internacional de Trabalhadores (A.I.T- I.W.A), nascida nos meses de dezembro e janeiro dos anos de 1922-1923, herdeira da Primeira Internacional, onde se agrupam todas as organizações anarco-sindicalistas do mundo. A CNT é, pois, consubstancialmente internacionalista, ao ser herdeira da Federação Regional Espanhola da Primeira Internacional. A Associação Internacional de Trabalhadores segue viva e atuante, mostrando que os princípios do sindicalismo revolucionário seguem tão vigentes como em qualquer outra época, e assim se demostrará nos días 8, 9 e 10 de dezembro em Manchester (Inglaterra), onde acontecerá o XXIII Congresso da Internacional anarco-sindicalista.


Contra a nova CSI ou qualquer outro invento dos liberados do sindicalismo de expediente, repetimos, com a AIT, que ?não cabe mais que o emprego de um só procedimento: a organização imediata do exército proletário em um organismo de luta que recolha em seu meio a todos os trabalhadores revolucionários de todos os países, constituindo com eles um bloco granítico contra o qual irão destruir-se todas as manobras capitalistas, as que no final acabariam por ser esmagadas pela força do seu enorme peso?.


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Traduzido ao português pelo Secretariado de COB/ACAT-AIT do Brasil

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