Nota de repúdio ao Círculo Alfa
“Vamos falar o português correto: este processo vai durar de seis a sete
anos e até lá o Edgar Rodrigues já morreu, e não vai dar em nada”
Esta foi uma das frases da defesa do Circulo Alfa de Estudos Históricos,
na audiência de tentativa de conciliação realizada em 08 de maio de
2009, no processo que tem como objetivo anular a tentativa de expulsão
de Edgar Rodrigues para: a) garantir a ele o pleno acesso ao acervo da
entidade; b) intimação daqueles que se dizem “representantes” da
entidade apresentem inventário de bens e acervo da entidade; c) que não
seja retirado, e muito menos negociado, nenhum documento, livro, jornal,
revista, ou quaisquer objetos que façam parte de seu acervo; d) em
conseqüência da declaração de nulidade, e do reconhecimento das
irregularidades cometidas pelos “representantes” do Círculo Alfa, que
sejam declarados nulos, e anulados, quaisquer atos praticados por eles e
pelos demais sócios-fundadores, notadamente os atos que possam levar a
dilapidação do acervo ou do patrimônio; e) após a apresentação do
inventário, se constatado que houve deterioração ou dilapidação do
acervo ou do patrimônio, que os responsáveis pela sua administração,
ainda que informal, sejam responsabilizados por isto, arcando com as
conseqüências de seus atos.
É lamentável a atitude dos auto-intitulados “representantes” do Círculo
Alfa, que aproveitando-se da idade avançada do companheiro Edgar
Rodrigues, realizaram um golpe vergonhoso que ofende não apenas quem
ainda procura, a duras penas, atuar no movimento libertário, mas a todos
que tenham conhecimento da infame e absurda manobra realizada por
pessoas não são, e provavelmente nunca foram, anarquistas.
Porém, mais lamentável é ouvir, numa audiência, que a única intenção
destas pessoas e “fazer o tempo passar” até que o companheiro Edgar
Rodrigues morra, para atingirem objetivos espúrios, e assim poderem
chafurdar sozinhos do lamaçal desonroso que eles criaram.
Sempre estivemos, e estaremos, juntamente com outras entidades, grupos e
indivíduos, ao lado do companheiro Edgar Rodrigues, e esperávamos que os
“representantes” do Círculo Alfa tivessem o bom senso de resolver os
problemas que eles criaram, mas estas pessoas demonstraram que, dentre
suas intenções, certamente não pensam em tornar o Círculo Alfa na
entidade imaginada pelos seus criadores, colocando-a serviço do
movimento libertário.
Ressalte-se que as atitudes dos “representantes” do Círculo Alfa
confirmam todas as denúncias que há muito tempo o companheiro Edgar
Rodrigues vem fazendo sobre o movimento anarquista brasileiro. Os
“atavismos” tendem a aparecer em situações extremas, ou quando as
pessoas acham que poderão obter vantagens indevidas. O ser humano é de
fato imperfeito, e somente com a aplicação dos princípios libertários –
certamente há muito esquecidos pelos “representantes” do Círculo Alfa –
é que chegaríamos a algum lugar
Será que a farsa se repetirá? Estaremos perdendo outro acervo valioso
pertencente ao movimento libertário, como ocorreu com o arquivo Edgar
Leuenroth?
Fenikso Nigra - Coletivo Libertário - FOSP Campinas

