A miséria dos espetáculos: Copa do Mundo e
afins.
A prática esportiva é muito importante para todos os seres, e deve ser
estimulada em todas as fases da vida. O sedentarismo deve ser
suplantado por atividades esportivas que visem manter o bem estar de
cada um, mantendo sempre o equilíbrio e a noção de limite de cada um.
Daí, esse processo deve ser coletivo e cooperativo, reduzindo a
competitividade que só gera ressentimentos e revanchismos
despropositados.
Partindo dessa observação simples e constatando a forma como os
esportes são tratados, de forma contrária ao que acabamos de escrever,
só podemos ser contrários a esse tipo de “industrialização e
comercialização do espírito esportivo”. Ficam mais evidentes nos
grandes eventos que se tornaram um meio de distração e docilização de
nossa gente.
Em nosso país, o maior destaque nesse sentido é o futebol, que alimenta
uma indústria de espetáculos o ano inteiro, com competições fajutas,
regadas a muito dinheiro e patrocínios milionários. Isso ainda cria um
efeito ilusório, principalmente nos mais oprimidos e explorados, que
incentivam seus filhos a jogarem futebol não para terem um bom
condicionamento físico, mas em serem contratados por clubes de futebol
famosos, que paguem muito bem. É claro que esse mercado só absorve uma
pequena parcela, restando à maioria desses candidatos a possibilidade
de torcer e jogos de fim de semana, com a sensação de que fez parte do
processo e quem sabe na próxima vez, com seus filhos, recomeçando o
ciclo.
Ainda é notório que alguns jogadores renomados formem organizações
assistencialistas para posarem como “bonzinhos” e que oferecem uma
“oportunidade” aos assistidos por suas organizações. Mas por trás
dessas atitudes, se mantém a desigualdade social amplamente entre nossa
gente.
Acima de tudo no caso do Brasil, mas cada vez mais comum em outros
países, o gasto e o extravaso de energia na torcida no jogo tornado
“divinizado”. É uma sublimação de insatisfações e frustrações de forma
coletiva que levam ao fanatismo exacerbado por um lado e pela apatia e
indiferença em questões prioritárias como política e economia, que
afetam diretamente a vida de todos.
A Copa do Mundo, ao menos aqui, nas terras de Pindorama, recebem uma
atenção doentia por parte dos meios de comunicação, que como sabemos,
manipulam as paixões de nossa gente. Nesse processo espetacularização
extremo, a miséria é maquiada de verde e amarelo e os graves problemas
sociais se tornam parte da “democracia do futebol”, que em vez de
resolver o problemas, torna-os mais “suportáveis” para a população,
isso é, se formos hexa.